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O aparecimento de febre no filho, é para muitos pais, um martírio ou um verdadeiro pesadelo. Esse talvez seja o principal motivo de consultas ao Pediatra, e provavelmente ao lado da tosse, são os dois sintomas/queixas mais comuns dos papais. O principal problema é que a febre em si não é uma doença, não mata ninguém e nem sempre quer dizer infecções, como insolação, desidratação ou até mesmo os excessos de roupa podem levar ao aumento da temperatura do corpo.

Para os pais de primeira viagem ou aqueles com memória muito fraca, a febre é muito frequente na vida das crianças, sendo muito raro uma criança até a idade escolar passar muito tempo sem apresentar febre, devido à alta incidência de doenças causadoras de febre como: Gripes, Resfriados, Bronquiolites, Exantemas (Roséola), Infeccioso, Catapora, Enteroviroses e Estomatites.

*Fiquem tranquilos: a maioria das doenças causadoras de febre duram menos de 1 semana, sendo que a maioria tem a febre resolvida entre 2-4 dias.

A Febre muitas vezes é deletéria, ou seja, causa muito mal estar, dor no corpo, falta de apetite e a tão temida convulsão com febre. Mas ela também tem seu efeito benéfico com o aumento da imunidade (aumento da liberação das unidades de defesa), da velocidade de circulação do sangue (defesa chega mais rápido), aumento da frequência respiratório (mais oxigênio), liberação das substância relacionadas aos estresse que também aumentam a imunidade, porém são as causadoras de boa parte dos sintomas ao surgir febre, além de reduzir a velocidade de replicação dos germes.

Resumidamente, apesar de parecer horrível, o ser humano evoluiu, tendo a Febre um fator de alerta para doenças e para melhora da imunidade. Pessoas com o sistema imune muito ruim, como portadores de doenças congênitas do sangue ou pessoas que passaram por quimioterapia recente, muitas vezes não apresentam febre mesmo na presença de doenças graves como Meningite ou Pneumonia.

Qual temperatura é considerada Febre?

A definição é o aumento da temperatura corporal acima de um valor considerado normal, (37.8º C) quando a medida for axilar, ou 38ºC se a medida for retal. No caso de medida pelo ouvido ou pele com o aparelho específico, a febre surge a partir de 37,5ºC. O ser humano apresenta uma variação normal da temperatura durante o dia, sendo a mais baixa logo pela manhã e a mais alta no início da noite.

A Febre ocorre com muito mais frequência quanto menor a idade, nos meses de inverno, e na criança que frequenta a pré-escola (como creches ou parquinhos), podendo ocorrer até dois períodos de 2-4 dias por mês em determinadas crianças, aqueles 10% de azarados… Isso mesmo! Febre a cada 20 dias no inverno não é uma ocorrência incomum.

A vacinação para gripe reduz o número de episódios de febre nos meses do inverno, lembrando que a maioria dos quadros são Resfriados e não Gripes, e estes não reduzem em número com a vacinação anual.

A temperatura deve ser sempre conferida, pois estudos apontam que mais de 50% dos pais erram sobre a presença de febre ao utilizarem as mãos como parâmetro de medida. Consideramos febre abaixo de 39º C como baixa, entre 39 e 40ºC como moderadas e acima de 40º C como alta. Temperaturas próximas de 42º C são consideradas letais.

Quais os sintomas?

Os sintomas básicos relacionados a Febre e não à doença ou quadro causador são:

  • Mal estar e falta de vontade;
  • Falta de apetite;
  • Dores no corpo como: cabeça, músculos, juntas/articulações e barriga;
  • Sonolência;

Todos esses sintomas são causados pela Febre quando desaparecem após o uso de medicação para a febre.

O que causa?

A maioria das febres nas crianças são causadas por Infecções Virais, como Gripe, Resfriado, Diarréia, Bronquiolite, Catapora, Exantemas, entre outros, perfazendo aproximadamente 70-85% dos casos. Isso demonstra que a maioria das vezes as infecções virais, que sempre são autolimitadas, são as principais causadores de febre e por isso, não é porque seu filho tem febre que ele tem algo grave.

Tanto o valor da febre quanto a sua dificuldade de controle, não estão relacionados a doença grave, ou seja, a febre que quase continua mais de 39ºC não é pior que febre distante uma da outra. O que importa é como a criança fica no intervalo sem febre, se normal e brincando ou se largada e sonolenta.

Padrão febril normal

Rotineiramente, as doenças de boa evolução tem um padrão de febre característico (sempre considerar o dia como 24 horas completas de febre):

  • 1º Dia: Febre prossegue, as vezes acima de 39ºC e retornando a cada 4-6 horas;
  • 2º Dia: melhora do padrão com picos mais baixos e resposta mais rápida à medicação, porém com manutenção de pelo menos 3-4 picos febris;
  • 3º Dia: momento de decisão. Classicamente a febre começa a espaçar os picos e as vezes desaparece;
  • 4º Dia: último dia das chamadas “febres normais”, a partir desse dia toda febre precisa de avaliação médica.

As doenças virais apresentam febre com grande intensidade no início e evoluem com espaçamento progressivo dos picos febris ao longo de 2-3 dias, e consequente melhora do estado geral. Já as doenças bacterianas apresentam febre com piora progressiva, cada vez mais picos febris e temperatura mais alta. O uso de antibióticos começa a melhorar a febre após 48 horas ou 5 doses do antibiótico. Se a febre passar antes de 48 horas, ou principalmente antes de 24 horas de antibiótico, é muito provável que o antibiótico não seja necessário, e a doença será curada apenas pela imunidade da criança.

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O que fazer?

Primeiramente devemos avaliar se não há alguma causa facilmente reversível como: excesso de roupas, desidratação ou insolação. Febres abaixo de 39º C não precisam de tratamento medicamentoso necessariamente, sempre avaliar o estado geral da criança, se está brincando, com dor, mal estar, cansada ou sonolenta. Sempre que a criança apresentar sintomas desagradáveis relacionados à febre, deve ser feita uma verificação médica, para melhorar seu conforto.

  1. Hidratação: a febre e o estado geral da criança doente melhoram com a hidratação, principalmente com água, mas pode-se utilizar água de côco, sucos de frutas ou isotônicos.
  2. Medicar: pode-se intercalar diferentes medicações se a febre voltar em menos de 6 horas após a medicação, e o efeito total demora até 2 horas.
    • Dipirona (preferido): mais forte de todas as medicações para febre. Não causa pressão baixa e não faz as crianças dormirem. Pode ser usada em qualquer idade.
      • Dosagem: Gotas=1 gota/quilo de peso e solução(50mg/ml)=peso/3 com intervalos de 6/6 horas.
      • Marcas conhecidas e confiáveis: Genérico, Magnopirol e Novalgina.
    • Paracetamol: potência baixa. Não causa problemas no fígado na dosagem usual. Pode ser usada em qualquer idade.
      • Dosagem: 200mg/ml=1 1 gota/quilo de peso, Tylenol Bebe (100/ml)=peso/8, solução (32mg/ml)=peso/2,5. Pode ser utilizado 5x/dia com intervalos de 4-6 horas
      • Marcas conhecidas e confiáveis: Genérico e Tylenol e todas as suas variações.
    • Ibuprofeno: potência média, com potencial anti-inflamatório. Preferível de usar na fase de nascimento de dentes.
      • Dosagem: 100mg/ml=0,5 gota/quilo de peso, 50mg/ml=1 gota/quilo de peso e solução 20mg/ml=peso/4
      • Marcas conhecidas e confiáveis: Genérico e Alivium.
  3. Banho morno: o objetivo do tratamento da febre é melhorar o mal estar, portanto nunca dê banho gelado. Deve ser dado pelo incômodo gerado. Pode-se dar um banho morno, principalmente de imersão ou banheira por aproximadamente 20 minutos. Deve-se dar a medicação sempre antes do banho.
  4. Nunca dar AAS ou Aspirina, tanto pelo risco relacionado à Dengue, como por aumentar o risco de Síndrome de Reye (hepatopatia, coma e risco de vida).

Quando levar ao médico?

As crianças, diferentes dos adultos, apresentam febre em doenças sem nenhuma gravidade ou risco à vida. Portanto, exceto no caso de orientação das autoridades de saúde, apresentação de um dos purpurasinais de gravidade descritos abaixo, ou se você julgar que seu filho está
estranho, desde que ele esteja medicado, sem febre e se mantenha estranho. Nos casos abaixo, a criança deve ser avaliada o mais rápido possível, preferencialmente antes de 6-12 horas.

  • Manchas vermelhas ou roxas no corpo, que não sejam de quedas ou picadas de inseto.
  • Febre + vômitos que não param por muitasdesidratação horas ou com redução do xixi (6hs sem xixi). Risco de Desidratação com olhos fundos, perda turgor da pele (prega). *Como na figura ao lado;
  • Febre + dores forte de cabeça ou na barriga, faz a criança parar com tudo e que não passa com medicação;
  • Febre + sonolência / irritabilidade excessivaretração subcostal
  • Febre em crianças menores de 3 meses (principalmente no 1º mês)
  • Febre + cansaço (observar após a febre)como na retração abaixo das costelas. *Figura ao lado;
  • No caso de Convulsão ou Desmaio, mesmo sem febre no momento do incidente.

Na ausência de fatores de risco, as visitas devem iniciar após 48 horas de febre, pois é o momento em que a maioria das doenças que não necessitam de tratamento apresentam melhora do padrão de febre ou mesmo o seu desaparecimento. No caso de manutenção da febre, o ideal é comparecer ao médico a cada 2 dias (48 horas) para reavaliação do diagnóstico e do tratamento já implementado.

Apenas com essa pequena atitude, seu filho irá muito menos em pronto socorros e por consequência, fará uso menos frequente de antibióticos e outras medicações sem necessidade.

Dr. Christian Helfstein – Pediatra

CRM/SP 119.947 – Limeira/SP

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