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A Dor de Garganta é um dos sintomas mais comuns nas crianças, acometendo até 30% das crianças com febre ou doenças respiratórias, sendo chamada de Faringite, quando acomete apenas a parte de trás da boca ou Amigdalite se acometer o tecido na lateral conhecido como amigdala ou amidala. Algumas pessoas utilizam o eufemismo garganta inflamada que nada acrescenta na realidade.

Apesar da grande frequência, como ocorre na maioria dos sintomas infantis, a associação entre dor de garganta e doenças graves é muito pequena, sendo as causas bacterianas, que devem ser necessariamente tratadas com antibiótico, responsáveis por apenas 10-15% das queixas.

E é muito importante saber que a Amigdalite Bacteriana, que precisa de antibiótico, não ocorre de jeito nenhum em menores de 2 anos e raramente em menores de 3 anos. Nunca dê antibiótico nesse caso para seu Bebê e apenas procure uma segunda opinião.

Não confundir a Amigdalite com o aumento da Amígdala e da Adenóide que ocorre após os dois anos com pico de tamanho desses órgãos entre 4-6 anos. Após essa idade, a maioria das crianças tem redução espontânea do quadro.

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Quais as Causas?

A maioria das dores de garganta tem origem viral (85%), principalmente em germes causadores de Gripes e Resfriados como adenovirus, coronavirus, enterovirus, rinovirus, vírus sincicial respiratório (Bronquiolite), Epstein-Barr (Mononucleose Infecciosa), metapneumovirus (Bronquiolite) e herpesvírus (Estomatite).

Entre as bactérias, o Streptococcus B-hemolítico do Grupo A é o mais comum, sendo responsável por aproximadamente 15% dos quadros. As outras bactérias são muito incomuns na criança e devem ser suspeitados em adolescentes e adultos jovens. A faringite gonorreica deve ser sempre lembrada a partir da adolescência em pacientes com quadros atípicos de faringite (transmissão por sexo oral em portador de Gonorréia).

Amigdalite - diferença entre viral e bacteriana

Como Diferenciar as Causas?

Não existe nenhum exame que seja 100% confiável para a diferenciação entre os diferentes quadros de dor de garganta, mas a coleta de secreção da orofaringe e o envio para a realização de cultura (crescimento e identificação do germe) em laboratório é o melhor método existente no Brasil e deveria ser utilizado em todos os casos, mas geralmente é reservado nos quadros atípicos.

A presença de um vermelho na garganta sem a febre alta, linfonodo, pús e manchas no céu da boca é indicativo de quadro viral. “Gargantinha  vermelhinha é sempre Viral – Não dê o antibiótico antes de uma reavaliação por algum outro Médico”. Antibiótico não previne infecções, apenas trata as já existentes ou seleciona germes mais forte para a próxima infecção.

  • Viral: inicio mais gradual, febre mais baixa se presente, coriza, tosse, conjuntivite, diarréia ou rouquidão.
    • Idade: predomínio em todas as idades, mas principalmente nos menores de 3 anos e nos maiores de 10 anos.
    • Adenovírus: dor de garganta e conjuntivite
    • Cocksackie vírus: lesões aftosas pequenas em amigdala ou faringe posterior
    • Herpes Vírus: geralmente dá gengivoestomatite, mas pode gerar lesões apenas posteriores e pode enganar em uma olhada rápida.
    • A mononucleose infecciosa pode mimetizar todos os sintomas da amigdalite bacteriana.
  • Bacteriana: inicio súbito de febre, dor de garganta, presença de pús, manchas vermelhas no céu da boca e linfonodos ou ínguas no pescoço. Pode vir associada a Escarlatina que é caracterizada por lesões vermelhas por todo o corpo como uma lixa e palidez perioral.
    • Idade: ocorre basicamente após os 3 anos com pico de incidência entre 5-10 anos. Nunca ocorre infecção bacteriana em menores de 2 anos e raramente antes dos três anos.
    • Meu filho teve sua primeira amigdalite aos 2,5 anos e por se um quadro atípico é obrigatório a coleta de cultura. No caso de meu filho, o resultado após 48 horas foi positivo e ele foi tratado com antibióticos. Aliás, uma das fotos abaixo é da amigdalite dele … rsrs.

Complicações

Independente da causa, seja viral ou bacteriana, a faringoamigdalite tem resolução espontânea em 7- 10 dias com a melhora de todos os sintomas, porém existem graves doenças associadas principalmente a doença bacteriana.

  1. Febre Reumática: doença imunológica causada pelo contato com determinados sorotipos de Streptococcus causadores de amigdalites, escarlatina e impetigo (infecções de pele). Caracterizada por artrite migratória principalmente de grandes articulações, cardite ou inflamação cardíaca, eritema marginato e coréia (movimentos involuntários).
  2. Glomerulonefrite: inflamação renal causada por reação imunológica levando hipertensão ou pressão alta, inchaço ou edema, urina com sangue e perda de função renal.
  3. Abcesso Peri amigdaliano: extensão da doença para fora da amigdala em direção ao pescoço. Doença grave com necessidade de internação para drenagem cirúrgica e antibioticoterapia endovenosa.
  4. Otite: principal complicação das doenças virais, assim como ocorre nas gripes,  resfriados e bronquiolite.

Tratamento

  • Doença viral: basicamente o mesmo tratamento de gripes e resfriados com higiene nasal e inalação com soro fisiológico, mel e vick vaporub nos maiores de 1 ano com tosse e analgésicos como dipirona, paracetamol ou ibuprofeno. Podemos utilizar sprays de anestésicos como a cepacaína, hexomedine, lidocaína ou própolis.
  • Doença Bacteriana: sempre tratar com antibióticos pelos risco de complicações e não pela doença em si. Utilizar preferencialmente penicilina benzatina (benzetacil) 1 dose ou amoxicilina por 10 dias para erradicar o bicho da boca de seu filho.
  • Cirurgia: apenas no caso de abcesso Peri amigdaliano para drenagem.

A amigdala sempre retorna ao tamanho original após 10-20 dias do tratamento e é nesse momento apenas que deve ser avaliado a necessidade de cirurgia por aumento ou hipertrofia amigdaliana. Hoje em dia, a cirurgia é muito menos comum pois o estudos de acompanhamento de pacientes demonstrou pouca diferença na maioria deles ao longo do tempo se foram ou não operados em relação ao número de infecções ou dificuldade de respirar ou deglutir.

Recorrência

Como repetido várias vezes nesse texto, a ocorrência de doença bacteriana é rara e por isso, a recorrência é mais rara ainda. Todos os quadros devem ser documentados com Cultura de orofaringe ou teste rápido para Streptococcus.

Para considerarmos recorrente são necessárias mais de 6 infecções em 1 ano ou 10 em 2 anos. Todos os estudos modernos indicam que após 1 ano do inicio das infecções, a média do segundo ano é de 1-2 infecções e no terceiro ano de menos de 1 infecção ao ano.

Somente nesses casos a infecção é considerada recorrente, normalmente é realizada a tentativa de tratamento com antialérgico e corticoides nasais por 3 meses. Na ausência de melhoras, a cirurgia indicada.

Quadros prolongados que não melhoram com o tratamento sugerem quadro viral ou, mais provavelmente, alguma doença imunológica cíclica como neutropenia cíclica.

Dr. Christian Helfstein – Pediatra

CRM/SP 119.947 – Limeira/SP

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