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A Imunidade, ou defesa contra infecções, das crianças é muito diferente da imunidade do adulto, principalmente na eficácia e velocidade de resposta ao “ataque” infeccioso, sendo sempre pior do que de um adulto.

A criança desenvolve progressivamente a capacidade de se desenvolver, mas somente na adolescência ela consegue alcançar o nível de imunidade de um adulto com a produção de todos os tipos de anticorpos, células e mecanismos de defesa em quantidade e com a mesma qualidade e eficácia do adulto. Ao redor dos 6 anos ou idade escolar, a maioria das crianças já apresenta uma imunidade relativamente boa e finalmente param de ficar doentes com frequência.

O ser humano apresente basicamente dois Sistemas de Defesa, o Inato e o Adaptativo. O Sistema Imunológico inato responde a qualquer tipo de agressão desde o nascimento sem a necessidade de aprendizado e portanto de maneira “genérica” independentemente do tipo de organismo que está causando a infecção o que torna a defesa menos eficaz. Já o Sistema Imunológico Adaptativo, como o próprio nome indica, requer aprendizado e tempo para aprender a se defender, e desenvolve mecanismo específico para o combate a cada tipo de infecção que são os Anticorpos.

Esse Sistema mais eficaz se desenvolve à medida que o corpo vai combatendo as infecções e entrando em contato com diferentes mecanismo de invasão, dano, camuflagem e defesa dos Vírus, Bactérias, Vermes e etc. Inicialmente, toda infecção é combatida pelo sistema inato, evitando a morte ou qualquer grande dano, enquanto o sistema adaptativo desenvolve uma defesa específica. Entre o inicio da infecção e o desenvolvimento da defesa temos um período de 7-10 dias nas crianças com o pico de defesa por volta da segunda semana.

Essa característica essencial da imunidade infantil não é considerada “Imunidade Baixa”, Deficiência de Imunidade, Falta de Imunidade, Fragilidade ou Doença”. A criança apresenta na Imunidade as mesmas características de todos os outros sistemas de seu corpo em formação: Imaturidade.

A Maioria das Crianças apresenta Sistema Imunológico ou Imunidade Imatura e nada mais!!

Nos primeiros anos de vida, a criança entra em contato com inúmeras substancias e organismos devido a usa “necessidade” de colocar tudo na boca, por isso aprende a separar o que pode ser tolerado, como bactérias em nossos intestinos e pele, e o que deve ser combatido. Isso sem considerar as crianças de creche que são verdadeiros criadouros e transportes de germes e infecções.

A associação desses dois fatores: Imunidade Imatura e Excesso de Exposição leva a maioria das crianças a apresentarem um número grande de infecções nos primeiros anos de vida, classicamente até os 6 anos, sendo a média de 4-8 infecções ao ano comando todas as gripes, viroses, infecções de pele e ouvidos, sinusites, pneumonias e etc. Crianças com menos de 6 anos podem apresentar até 18 infecções ao ano no primeiro ano de escola ou creche.

Suspeita de Deficiência Imunológica

As principais indicações de Imunidade Baixa de Verdade:

  • Duas ou mais infecções sinusites ou pneumonias bacterianas graves em 12 meses
  • Duas ou mais Meningites ou Sepses (infecção generalizada)
  • Dois ou mais meses de antibióticos para curar infecções
  • Necessidade de antibióticos endovenosos ou internado
  • Candidíase oral ou superficial de difícil tratamento – Sapinho
  • Abcessos em pele ou órgãos internos recorrentes
  • Complicações por vacinas atenuadas como Pólio oral, Sarampo, Rubéola, Catapora e BCG.
  • História de imunodeficiências na família
  • Linfopenia ou linfócitos baixos contínuos
  • Infecções por organismos oportunistas – só geram infecções se imunidade ruim

O Que Podemos Fazer para Ajudar?

Nós, Pais e Pediatras, pouco podemos fazem para acelerar o processo de desenvolvimento da imunidade de nossos pequenos, mas sempre podemos tentar:

  • Lavar sempre as mãos de todos, Pais e Crianças, reduz as infecções em até 80%.
  • Deixe seu filho ser criança, se sujar, rolar no chão, na terra e na grama, mexer na água, brincar ou ter animais de estimação.
  • Alimentação variada e saudável: evitar principalmente o excesso de leite após os 6 meses de idade, pois ele dificulta a expectoração de secreções e pode reduzir a imunidade
  • Dormir Bem: o sono reestabelece o funcionamento normal de nosso corpo, inclusive da imunidade.
  • Higiene nasal: reduz a duração e gravidade das gripes
  • Afastar nosso filho da escola e de outras crianças quando doente: impedindo que a doença, em geral transmitida pela tosse, secreções ou mão contaminada, seja transmitida para outras crianças. Invertendo a situação, seu filho é que será o beneficiado.
  • Medicações: existem poucos estudos confiáveis no mundo sobre estimuladores de imunidade na criança e aparentemente o mais eficaz são os Lisados Bacterianos presentes em medicações como o Broncho-Vaxom 3,5mg e o Paxoral 3,5mg. São utilizados 1x ao dia por 10 dias em jejum pela manhã ao mês por 3 meses (toma 10 dias, para 20 dias e assim por diante) com melhora de até 80% dos quadros em crianças menores de 6 anos de idade.
    • Medicações como Enax, Imunoflan, Ixium, Leucogen e Modik não tem evidências de eficácia. Alguns são extratos de ervas como a Ecchinacea, outros de timo de vitela, entre outras substâncias. Evite utilizar essas medicações.

Alergias e Infecções

Crianças alérgicas apresentam quadros infecciosos mais frequentes e com duração mais prolongada devido aos alterações inflamatórios decorrentes da alergia. Essas alterações causam perda da barreira de proteção natural de nosso corpo como pele, mucosas de vias aéreas e etc, aumento do muco com consequente dificuldade na destruição do organismo agressor, redução da velocidade de migração de células de defesa, redução da limpeza do muco ou secreções pelo batimento ciliar de nossas mucosas e etc.

Toda criança com infeccões recorrentes deve ser avaliada em relação à possibilidade alergia e de imunodeficiência. Toda criança alergica deve ser tratada para excluir que a alergia seja a causa das infecções recorrentes como antialergicos como cetotifeno, loratadina, cetirizina, dexclorfeniramina ou fexofenadina, corticóides intranasais como a budesonida, fluticasona e mometasona, e antileucotrienos como o montelucaste e zefirlucaste.

Dr. Christian Helfstein

CRM/SP 119.947

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