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O nascimento de uma criança – apesar de fascinante e uma maravilha na evolução das espécies – não se resume apenas ao nascimento de um bebê, mas também o surgimento de novos pais – independentemente de quantos filhos eles já tiveram. Como aprendi há algum tempo atrás, cada filho é como os dedos de uma mão, cada qual com sua característica e sua função. Os pais também mudam a cada filho – apesar de todos os pais jurarem de pés juntos que não existe diferença de tratamento entre cada um dos filhos.

A relação entre Pais x Filhos é conflituosa por natureza, mas também é dependente das características da criança – discutidas em outra página – e das características dos pais. Essa relação pode beirar a perfeição, com entendimento mútuo profundo. Mas no geral é o aprendizado de como lidar melhor em cada situação que leva ao amadurecimento da relação.

TIPOS DE PAIS

Proativo

Hoje em dia é muito comum pais que são extremamente preocupados com o desenvolvimento do seu filho, sempre buscando variadas formas para estimular seu filho, buscam informações em lugares como livros e internet, introduzem as mais diversas atividades na rotina da criança, brincam, brincam e brincam com a criança, não permitindo muitas vezes que a criança desenvolva aquela quietude contemplativa.

swim-lessonEsses momentos em que nossos filhos estão tão concentrados ou naquela viagem ao mundo da lua – assim como Lucas Silva e Silva (No Mundo da Lua, desenho da TV Cultura da década de 80), são importantes para o desenvolvimento da imaginação, concentração e pensamento abstrato das crianças. Não me surpreende ver que em um mundo onde os pais não conseguem ficar parados, concentrados ou simplesmente vivendo, tantas crianças taxadas de hiperatividades.

Como tudo na vida, os extremas raramente são bons companheiros, e com os Pais Proativos  ocorre o mesmo. O desejo exagerado de desenvolvimento do filho pode obriga-lo a acelerar etapas sem a devida base de sustentação, como aprender a somar sem nem mesmo saber a ordem dos números. Ser preocupado em ajudar o filho a desenvolver todo o seu potencial é uma coisa; mas forçar um desenvolvimento prematuro, encher uma criança pequena de tarefas, como escola, natação, futebol, inglês e etc, ou no caso dos bebês, uma estimulação continua sem o devido respeito às suas vontades, pode levar a criança à um burnout infantil.

Burnout é um termo utilizado para o esgotamento mental que leva a uma aparente redução da cognição ou capacidade de pensar, ou seja, o cérebro simplesmente não consegue mais funcionar. Ele é uma consequência de estresses físicos ou psíquicos, como privação de sono, estresse crônico, estimulação exagerada – importante na criança. O burnout gera uma redução na velocidade de desenvolvimento da criança, ou o que é pior, um retrocesso do desenvolvimento – redução na capacidade de pensar, diferente do adulto que o desenvolvimento mental básico já está encerrado.

Todos queremos que nosso filho aprenda a andar, falar ou escrever antes das outras crianças, mas nossos desejos não podem levar a um descompasso da capacidade da criança com as nossas vontades.

Como Pamela Druckerman diz em seu maravilhoso “Crianças Francesas não fazem manha”: quando seu filho for mais velho, pouca diferença efetiva fará se ele aprendeu a ler aos 3 ou 6 anos, desde que ele saiba ler perfeitamente, ou se ele tiver andado aos 10 ou aos 18 meses, pois todos aprendemos a andar de algum jeito (exceto, obviamente, os portadores de algum tipo de deficiência). Aprender as coisas mais cedo não significa aprender melhor.

Irritado

Apenas com um ocorrido com a criança ou um simples fato que aconteceu no dia  irrita esta pessoa.angry father Ela dificilmente consegue levar situações inesperadas numa boa, julgando que o mundo conspira contra ele. Lembrando que irritado não significa chiliquento, a pessoa pode reclamar de tudo sem nem mesmo alterar o tom de voz.

O choro de fome ocorre sempre na hora errada, a fralda vaza no pior momento possível… Infelizmente para os irritados de plantão, ter um filho significa abdicar do comando em muitos momentos da vida. A criança não suja a roupa antes de sair propositalmente, ela suja apenas porque é simplesmente uma criança.

Vômitos, febres, nariz escorrendo, vontade de fazer xixi ou cocô depois de entrar no carro, fome logo depois de recusar a refeição são todas reações aparentemente propositais de um ser em desenvolvimento, e que nem teria a capacidade de decidir ou julgar a pior hora para fazer determinada coisa. Exceto após os 2 anos nos momentos de birra onde a criança aprende a melhor maneira de irritar seus pais, seja chorando, prendendo a respiração até ficar roxa, entre outras ações que realmente acontecem.

Estressado ou Ocupado

Existem pais que precisam reservar em sua agenda os períodos que irão passar com os próprios filhos. Infelizmente, isso ocorre cada vez mais com as mães também, a busca de igualdade dos sexos gerou em muitas mulheres uma terceirização dos filhos, pois se os pais já não eram presentes, e as mães também estão fora, alguém precisa alimentar e cuidar dessas crianças.

Busy-MomOs filhos se acostumam rapidamente a esse tipo de ambiente, porque as crianças apesar de pequenas e aparentemente frágeis, apresentam uma capacidade de adaptação surpreendente. Elas precisam de cuidadores e carinho, independente de quem eles sejam: pais verdadeiros ou adotivos, algum parente ou até mesmo babás. Os únicos perdedores são os ausentes, que deixam de ver os primeiros sorrisos, as primeiras palavras ou abraçar após uma grande ação, como um gol num campeonato, o 10 em uma prova ou ensinar a amarrar o sapato.

Claro que existem os Pais-Mães ou Mães-Pais, as pessoas com múltiplos filhos ou que cuidam de alguém doente – que não optaram por terem muitos afazeres, e são obrigados a atender tarefas ao mesmo tempo, mas com o tempo desenvolvemos técnicas para lidar com essa situação.

Crianças passivas ou que pouco demonstram seus incômodos são a pior associação aos pais ocupados, pois unem pais ocupados e com pouco tempo disponível com uma criança que pouco reclama, podendo ser literalmente esquecida num berço, na frente da televisão ou dentro de um carro.

Ter um filho significa abdicar de algumas coisas em prol de um bem maior, o bem estar de uma criança, por exemplo. Pais e Mães devem mudar suas rotinas para atender as demandas das crianças, doamos um pouco de nosso tempo à criança sem que ela cresça pensando ser o centro do mundo.

Passivo ou Preguiçoso

paiAo contrário do estressado ou irritado, o tipo passivo é aquele que espera que o mundo termine em barranco para poder ficar encostado. Respeitar os momentos da criança é um exercício salutar aos pais, segurando aquele desejo de interagir com ela no meio de uma brincadeira, muitas vezes, apenas para dar um beijinho ou perguntar pela milésima vez se ele não quer comer algo.

O passivo reage apenas quando francamente confrontado ou se não der muito trabalho. Muitas vezes são os pequenos detalhes que demonstram a passividade de uma pessoa, como a permissividade em relação aos modos da criança, classicamente chamam o filho pelo diminutivo e com uma voz infantilizada quando o mesmo está fazendo algo indevido e não reage quando não obedecido.

(Existe o Desencanado ou Bicho Grilo, que consegue dosar melhor a passividade, permitido a experimentação pela criança, mas com limites, tanto no aspecto de segurança como educacional).

Pais-Avós ou Ausentes

grammasOs Pais-Avós é um dos tipos mais irritantes de pais, pois juntam características ruins de vários outros tipos de Pais. Os ausentes são geralmente os que trabalham o dia todo e quando chegam à noite e fins de semana não querem entrar em conflito com os filhos e cedem tudo na tentativa de compensar sua suposta ausência. Fazem exatamente como os avós ou parentes distantes que, como veem pouco a criança não querem que esses poucos momentos seja marcados por choros ou recriminações.

  • Proativos com a comida, oferecendo comida o tempo todo, e é claro que não são frutas ou coisas saudáveis;
  • Passivos com a educação, afinal educação é com os “pais” e estes educam apenas no horário que podem;
  • Inseguro, como convive pouco com o filho, pouco sabem sobre as reações verdadeiras do filho.
  • Sabe tudo, apesar de mal saber sobre o próprio filho, eles sabem como resolver todos os problemas, ou lhe contaram isso pois já passaram como alguns avós tem a mania de saber mais sobre nossos filhos que nós mesmo, mostrando como se fosse tudo mágica e fácil.

Eu adoro os avós, sempre presentes para ajudar, sem aquele peso de educar conseguem,  muitas vezes manejar melhor as situações.

Inseguro

scared-manMuito comum hoje em dia, onde as famílias são cada dia menores e muitos pais não tem como referência o cuidado de nenhuma criança próxima. Eu, por exemplo, sou um dos caçulas de minha família e por isso, não me lembro de ter ajudado a cuidar de qualquer criança pequena na infância ou adolescência. Peguei uma criança no colo pela primeira vez durante a Faculdade de Medicina, no estágio de Pediatria.

Esses pais não sabem coisas básicas como trocar fralda, e que quase todo bebê tem cólica no primeiro mês de vida. O aprendizado vai ser com o próprio filho.

Minha principal dica para esses pais é: tomem muito cuidado com os livros e sites na internet, com informações sobre a criação de filhos. Geralmente, os livros descrevem milagrosas técnicas para resolver os problemas sem nenhuma base científica e os sites descrevem apenas situações pessoais que são generalizadas como verdades absolutas.

Esse foi o principal motivo de nascimento de “Meu Filho Nasceu” – minha primeira aventura na internet – gerar informações de qualidade por alguém que é Pediatra e Pai (ambos de verdade). Clique na barra à esquerda em “Assuntos Aleatórios” para ver os livros recomendados por mim.

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Sabe Tudo ou Google

googleAntigamente os “Pais sabe tudo” tinham uma ideia ou resposta para todos os assuntos relacionados às crianças, por já terem passado por essa situação ou as vezes, tinham lido em algum livro. Quase sempre eles ainda tinham um determinado conhecimento sobre o que estavam falando – muitos vezes errôneo – mas ainda sim, algum conhecimento real ou popular.

Hoje em dia as coisas são um pouco diferentes pois, com uma pesquisa de 5 minutos no Google, você pode se tornar um “Expert Raso” em qualquer assunto e isso pode ser extremamente perigoso quando o assunto é uma criança.

Minha dica é nunca acreditar piamente em ninguém, nem mesmo em seu pediatra se o assunto for importante ou se dúvidas ainda existirem, apesar das explicações de muitos. Um dia espero ter um acervo grande o suficiente para dizer que no PediatriaVirtual.com você poderá encontrar tudo que precisar em uma bela mistura das experiências de um Pediatra-Pai.

Competitivo ou Defensor

knightSempre participando de uma prova ou competição, esse tipo de pai deixa claro que ele e seus filhos são melhores que os outros mesmo nas piores coisas. 

Em uma conversa informal, fora do consultório, contei a uma pessoa que meu filho que estava presente foi para a escola muito cedo – aos 5 meses – e para ajudar ainda era bem alérgico, ficando doente com muita frequência, eu e minha esposa ficamos muito cansados nessa época. Mal terminei de falar, a pessoa já começou a contar que isso não era nada, pois além do filho ficar muito doente, ele ainda QUASE ficou internado várias vezes e que ela nem sabia o que era sossego. Que o filho iria passar por uma cirurgia em poucos dias por conta do quadro dele.

Infelizmente para essa pessoa – que não sabia que eu era Pediatra – eu não tentei disputar, pelo contrário, dei mais corda para saber detalhes desse caso tão curioso. No fim das contas, a cirurgia não tinha indicação pois a doença que indicava a cirurgia não ocorria na idade daquela criança. Provavelmente na ânsia de competir, a pessoa foi aumentando a história até encontrar um “Médico” disposto a ganhar algum dinheiro dando todos os argumentos que ela tanto queria.

Ao contar as façanhas dos filhos pequenos, os principais marcos de desenvolvimento que são exagerados são o Andar e a Falar. A deambulação (andar) ocorre comumente aos 13 meses de vida, sendo normal até os 18 meses, mas raramente você encontra crianças desses pais que andaram com mais de 10 ou 11 meses, feitos raros até para um pediatra ver. A fala também é sempre exagerada porque os pais entendem muito mais a fala da criança que as outras pessoas e o parâmetro de desenvolvimento é o entendimento por estranhos.

 Ciumento

ciumeA existência de pais obrigatoriamente demanda a existência de um filho, porém o contrário não é verdade, pois somente a criação (no sentido produzir) de um bebê é dependente dos pais. Depois do nascimento, a existência da criança, como ser independente, não demanda a existência de  um Pai ou Mãe.

Muitos pais tem grande dificuldade de lidar com a possibilidade que o filho em determinado momento da vida possa preferir outra pessoa para brincar ou como companhia, ou mesmo que ele tenha mais afinidade com outra pessoa que não seja quem o gerou.

Classicamente, esses pais criam inúmeros empecilhos quanto aos cuidados ou a permanência da criança com outras pessoas, como por exemplo não se ausentar da presença da criança, fica ali marcando território, como diriam os antigos.

Quanto mais o tempo passa e a criança se torna gradativamente mais independente, podendo ser mais prejudicial esse tipo de Genitor, se ele não procurar maneiras para resolver seus conflitos internos, levará a criança a uma difícil escolha: atender ao genitor ciumento ou comunicar-se com outras pessoas.

Dependente

mom e kidTambém chamado de carente, grudento ou chiclete. Os pais com essas peculiaridades, tem muitas características semelhantes aos ciumentos, pois ambos necessitam de alguém para se sentir completo.

Os dependentes adoram a fase bebê, pois é o período em que a coitada da criança precisa de alguém para cuidar. O cuidar nessa etapa é extremamente repetitivo: dar mamar, trocar fralda, ninar e dar banho, se repetindo infinitas vezes, ocupando muito tempo e demandando muita atenção dos pais, aumentando a sensação de dependência da criança que preenche por completo as necessidades de um Genitor carente.

Com o passar dos meses e anos, a sensação de perda começa a fazer parte da vida desse Genitor, superando a felicidade gerada pelo pleno desenvolvimento da criança. Ela alcança a “Síndrome do Ninho Vazio”, que acontece quando o nosso filho se liberta completamente da vida infantilizada e se torna um adulto totalmente independente com plenos poderes sobre a sua própria vida e bate asas para voar pelo mundo. Esse momento de independência e felicidade do filho, cria um buraco no peito desse Genitor, muitas vezes difícil de superar.

Para manter esse fluxo constante, muitas vezes o Genitor cria uma relação de carência-dependência com o filho que impossibilita o pleno desenvolvimento em um adulto saudável e independente, explicando o elevado número de adultos dependentes emocional e financeiramente dos seus Pais.

De Bom Senso ou Conciliador

balance_scale_clip_art_10655Esse seria o tipo ideal de ser humano, aquele que consegue ser compreensivo quando necessário, severo quando preciso e um bom amigo na hora de brincar. Tais características são desenvolvidas desde infância, como aquele que sabe juntar a turma para brincar quando todos querem uma brincadeira diferente e estão quase se batendo.

Vários estudos com humanos e inclusive com outros primatas e animais demonstram que essa característica não é comum aos líderes, mas está sempre associado a uma boa posição social, geralmente abaixo do líder.

Enfim…

Cada um de nós é a soma de um pouco de cada uma dessas características, e a diferença não é se somos mais de um tipo, mas o que fazemos com esses “ingredientes” todos. Assim como fazer bolos ou qualquer receita não é apenas misturar os ingredientes e ”tcharam!”, um resultado igual de nossa avó. Precisamos prestar atenção em como usar os ingredientes da melhor maneira, e cada qual tem que descobrir o seu jeitinho pessoal.

Eu, por exemplo, sou principalmente proativo e irritado, mas até que julgo estar controlando melhor a cada dia o meu ‘lado negro’.

Aproveitem e participem das enquetes sobre Pais, Filhos e Pediatras.

 Dr. Christian Helfstein

Médico Pediatra – CRM/SP 119.947

Limeira – São Paulo

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